18 de ago de 2010

Galvão: Globo deveria mandar no futebol, pois paga as contas

Do Terra.com

Por Eliano Jorge

Galvão Bueno não representa apenas o timbre dos principais eventos esportivos exibidos pela rede de televisão mais poderosa do País. Com ares de porta-voz, ele escancara sua visão:
- A Globo manda no futebol (brasileiro)? Não. Acho até que deveria mandar porque paga as contas (dos clubes com cotas de transmissão).

A terça-feira, 17/8, está terminando, o carioca de 60 anos recebe convidados na casa noturna Dorothy Park, em São Paulo, para lançar Bueno Paralelo 31 e Bueno Cuvée Prestige, vinho e espumante da sua Vinícola Bueno. Ele exercita suas reflexões de poder:
- Não tenho Twitter, Facebook, Orkut... A minha comunicação com meu público é pela Globo. Não há veículo mais forte no mundo do que a Globo.

De acordo ou não com essa opinião, o novo treinador da seleção brasileira de futebol, olhos nos olhos, mão no ombro do interlocutor, despede-se com sinceridade:
- Boa sorte, Galvão. Obrigado pelo convite.

Mano Menezes, desde a chegada ao evento, com o salão ainda se enchendo, monopoliza olhares. Por duas horas, atrai congratulações e pedidos de fotografias. Sempre risonho, brincando e apresentando a família: a esposa Maria Inês, a filha única Camilla e o genro Rodrigo Conter.
- A dona da seleção brasileira - anuncia o locutor à sua esposa Desirée, referindo-se à mulher do técnico.
Enquanto as famílias Bueno e Menezes se congraçam, mais fotógrafos os cercam. Alvoroço, mais aperto, todas as atenções para um personagem que se une à cena.
- Cara, ele tá muito gordo. Desiste, não dá pra jogar futebol profissional assim... - um dos presentes comenta, de longe, o motivo da movimentação: a chegada do atacante Ronaldo, dirigido por Mano no Corinthians até o mês passado.
 
Piada de corintiano
Para José Carlos Brunoro, gestor da parceria Palmeiras/Parmalat na década de 1990, o treinador da Seleção graceja sobre os recentes percalços alviverdes:
- Não tá dando! Você vê que até fui lá sábado... O Felipão já tá ficando doido, sendo expulso... - brinca sobre a suada vitória palmeirense de 2 a 0 sobre o Atlético Paranaense, no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro, quando o treinador Luiz Felipe Scolari foi excluído da beira do gramado por reclamar da arbitragem, após jejum de seis partidas.

Sua assessora de imagem não desfaz o sorriso e o cumprimento inúmeras vezes repetido:
- Camilla, a filha do Mano.

Com mestrado em Jornalismo na Inglaterra, ela não credita à sua formação profissional a boa relação do pai com a mídia. Indica justamente o inverso. O apreço do treinador pelo noticiário é que a fez se tornar jornalista, assegura:
- Isso influenciou minha opção. Ele ouvia muito rádio, e eu também. Ele gostava de jornalismo em geral, política...

Vinho é outra herança paterna. "A bebida favorita dele, coisa de gaúcho, de beber no preparo da refeição e depois", conta Camilla, indicando a predileção de Mano pelas garrafas de seu Estado e de Portugal.
Oficialmente, Mano não dá entrevistas na festa. No entanto, papeia com jornalistas. Provocado por Terra Magazine, faz análises enológicas com arcabouço de futebol:
- O vinho do Galvão, eu convocaria, sim. É de primeira classe.

Um dia após desaconselhar, na frente do atacante Neymar, sua transferência do Santos para a Europa aos 18 anos, pensa por alguns segundos e dribla com bom humor a pegadinha sobre a exportação da safra de vinhos sub-18:
- Esse, não vamos deixar sair com menos de 18 anos porque queremos que fique para nós.

À espera do carro, Mano se depara com o treinador do Atlético Mineiro, Vanderlei Luxemburgo.
- Ainda não te cumprimentei. Parabéns. Você ainda tem muito cabelo... Eu tive que fazer dois implantes. É verdade, aqui - mostra a testa crescida o ex-técnico da Seleção, alertando o calvo novato para o desgaste do cargo.

Pelo preço
Parceiro de transmissões futebolísticas, almoços e jantares há 21 anos, o comentarista de arbitragem Arnaldo Cezar Coelho revela o critério de Galvão Bueno para vinhos:
- Ele sempre gostou. No início, escolhia pelo preço. Ainda escolhe pelo preço, mas agora ele entende. Vai pelo custo-benefício.

- Ele escolhe sempre o mais caro - completa o jornalista Renato Maurício Prado, companheiro do programa Bem, amigos!, do SporTv.
O narrador reforça sua ligação com a bebida. "É uma paixão de mais de 30 anos, viajando pelo mundo todo, provando, conhecendo, apurando o gosto com o tempo". Além do nome, Galvão aponta o que seus vinhos têm dele: "Coração". O estilo de sempre.
- E aí, tiozão? - o piloto Felipe Massa, da Fórmula 1, saúda o dono da noite.
Em seguida, irônico, Galvão reage a comentário sobre seu próprio traje:
- Coisa de viado.

Outro vice-campeão mundial dos volantes, Rubens Barrichello, chega pouco depois. Mas canta pneu ao ouvir um princípio de pergunta sobre as ordens da escuderia Ferrari para os brasileiros entregarem vitórias a companheiros de equipe:
- Sobre politicagem, eu não vou falar! - freia bruscamente.

A conversa sobre amenidades etílicas encerra-se na largada, atropelada por reencontros. Na última volta, saindo da pista, Rubinho, cortês, reengrena a marcha:
- Velho, eu te perdi lá no meio... Foi mal - desculpa-se, com a eterna toada.

Também de saída, Ronaldo jura que não experimentou as bebidas promovidas ali. Tem dificuldades de encontrar justificativa:
- Por nada...

Ele não culpa recomendação da comissão técnica, dieta alimentar ou vigilância dos presentes.
- Nem consegui, tava muita confusão... - afirma, apesar dos momentos de tranquilidade, sentado, e com garçons à disposição.

Barriga estufada vencendo a blusa preta e o blazer, o Fenômeno não escapa do constrangimento com o apresentador Jô Soares, cercado por diversos observadores e flashes:
- Você está engordado, não está gordo - avalia o humorista, com admitida autoridade na questão, para rubor do artilheiro e de sua esposa Bia Antony.

Jô tenta consertar, aludindo ao renascimento esportivo no título da Copa do Mundo de 2002:
- Só duas pessoas acreditavam nele: Felipão e eu.

Mais tranquilo está um convidado sem rótulo de celebridade:
- Já fizemos a social - alivia-se com o protocolo, logo após abraçar Galvão.

- Já cumprimentamo o hômi... - acrescenta uma acompanhante, sentindo-se abençoada pelo carisma - agora borbulhante - do narrador.
- ...Prefere ver na Band, mas não vê na Globo! Prefere ouvir o Luciano do Valle. E não é pouca gente - pinça-se o testemunho numa roda de conversa, sobre o repúdio de telespectadores ao suposto "veículo mais forte no mundo" e sua voz esportiva oficial.
Porém, o declarado amigo de Galvão não discute poderes ao olhar à sua volta.

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